Perguntas Frequentes - Segurança humana
R. Não foi estabelecida nenhuma relação causal entre o paraquat e o mal de Parkinson. Vários estudos epidemiológicos sugerem um ligeiro aumento no risco de desenvolver o mal de Parkinson entre os operadores de pulverização de pesticidas. Nos estudos mais abrangentes, uma pequena associação com o mal de Parkinson foi encontrada com a aplicação de inseticidas organoclorados, mas não com paraquat (Elbaz et al. (2009) Annals of Neurology, 66, (4), 494 – 504).
A fragilidade desta associação não sustenta uma relação causal. Pesquisas recentes se concentram na compreensão do papel dos fatores ambientais, incluindo traumatismo craniano, infecção viral, níveis elevados de colesterol e da exposição a metais através da dieta no desenvolvimento do mal de Parkinson.
Também há casos raros, mas bem definidos, de mal de Parkinson herdado geneticamente que afetam menos de cinco por cento da população. Nestes casos, porém, a doença se desenvolve cedo.
Não há evidência de que o número de novos casos de mal de Parkinson esteja aumentando. Na verdade, os dados disponíveis indicam que a incidência do mal de Parkinson se manteve inalterada nos últimos 70 anos – desde a introdução dos pesticidas sintéticos modernos. Como a incidência do mal de Parkinson aumenta com a idade, seria de se esperar o surgimento de mais casos com o envelhecimento da população. O diagnóstico da doença também está se tornando mais sofisticado com o uso de novas tecnologias.
R. Sob condições normais de uso (ou seja, conforme recomendado no rótulo) o paraquat é seguro para usuários e transeuntes. É aconselhável usar óculos e luvas protetoras ao manusear o produto concentrado e roupas normais de trabalho, como camisas de mangas compridas, calças compridas e calçados impermeáveis para pulverizar pesticidas em geral. Seguir essa recomendação já proporciona um nível alto e suficiente de segurança para o uso agrícola do paraquat.
Em 2004 o paraquat foi revisado novamente pelas principais organizações internacionais, inclusive a FAO (?Organização para Alimentos e Agricultura) e a Rssmbléia Conjunta da ONU sobre Resíduos de Pesticidas (RCRP), composta de especialista da OMS (Organização Mundial de Saúde) e da FAO. Esses especialistas defendem que, quando usado conforme as instruções, não há risco de segurança associado ao uso do paraquat. Suas propriedades físicas tornam seu manuseio seguro, quando usado de acordo com as instruções do rótulo.
O Comitê Científico sobre Plantas (CCP) da Europa afirmou:
“Com base nos estudos de exposição em campo, corroborados por informações de questionários de saúde de operadores, a opinião do CCP é que, quando o paraquat é usado como produto de proteção à planta como recomendado e conforme prescrito nas boas práticas de trabalho, seu uso não representa nenhum risco significativo à saúde dos operadores ”.(CCP 2002)
A conclusão resultante de mais de quatro décadas de uso e várias revisões por corpos de regulamentação internacionais é que o paraquat é seguro para usuários, o meio ambiente, consumidores e vida silvestre quando usado para seu propósito, como herbicida. Sua segurança foi confirmada por seu registro em mais de 100 países de todo o mundo, inclusive naqueles com os mais rigorosos requisitos regulatórios, como os EUA.
R. O perigo potencial de longo prazo associado ao uso do paraquat também foi estudado. A ?Organização Mundial de Saúde concluiu (Critérios de Saúde Ambieltal, 1984) que não houve diferenças significativas em todos os parâmetros medidos entre usuários de paraquat e não usuários de paraquat, o que levou os autores ta sugerir que o uso de longo prazo do paraquat não estava associado a efeitos prejudiciais à saúde. Isso foi confirmado em questionários detalhados comparando a saúde de usuários de longo prazo do paraquat com a de pessoas não expostas.
R. Não. A documentação de registro atual na EPA para o paraquat (‘RED’ da EPA, agosto de 1997) indica claramente que a EPA não considera neurotoxicidade como um problema desse composto. A EPA também afirmou que não havia necessidade de um estudo de neurotoxicidade de desenvolvimento.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (Environmental Health Criteria - Critérios de Saúde Ambiental 39, 1984), o paraquat não é teratogênico (que causea deficiências de nascença) ou carcinogênico (que causa câncer) em estudos de longo prazo em ratos e camundongos.
R. Um disruptor endócrino é uma substância química sintética que, quando absorvida pelo corpo imita ou bloqueia hormônios e perturba as funções normais do corpo. Como todos os produtos de Proteção à Lavoura o paraquat foi submetido a uma avaliação toxicológica completa, que incluiu os estudos necessários em mamíferos. Esses estudos permitem o exame de efeitos toxicológicos após a exposição recorrente de várias espécies ao paraquat. Estudos desse tipo avaliam a capacidade de materiais causarem efeitos adversos significativos através de disrupção endócrina, e não se encontrou nenhuma evidência ligando disrupção endócrina ao paraquat.
Nesse relatório, “Para estabelecer uma lista de prioridade de substâncias para avaliação mais profunda de seu papel na disrupção endócrina” para a DC de Meio Ambiente da Comissão Européia, a BKH Consulting Engineers lista o paraquat como substância do grupo III, o que significa que não há base científica para incluí-lo na lista de disruptores endócrinos. Para chegar a essa conclusão, a BKH cita dois estudos in vivo com mamíferos, que tiveram resultado negativo para disrupção endócrina.
O paraquat aparece na lista de substâncias com 'efeitos reprodutivos e/ou endócrinos' do Fundo Mundial para a Vida Silvestre (WWF). Todavia, os critérios usados para determinar esse posicionamento não são claros. Os dados do WWF foram considerados pela BKH no desenvolvimento de sua recomendação.
R. Não. O paraquat não é volátil e vapor do produto não consegue entrar no sistema respiratório.
Além disso, as gotas do spray produzido pelas mochilas ou tratores pulverizadores usados para aplicar produtos que contêm paraquat, ou qualquer outro PPL, são grandes demais para serem inspiradas. A maioria das gotas emitidas por equipamentos de pulverização têm entre 100 e 200 microns de diâmetro, mas uma partícula deve ter 10 microns ou menos para penetrar nos espaços aéreos dos pulmões. As grandes gotas pulverizadas não podem ser inaladas para o sistema respiratório. A EPA dos EUA concluiu que “partículas usadas em práticas agrícolas estão muito além da faixa respirável e, portanto, a toxicidade por inalação um ponto de preocupação toxicológica” (EPA dos EUA, 1997).
R. Como muitos produtos químicos de fácil obtenção, o paraquat é nocivo e já ocorreram fatalidades quando o produto concentrado foi ingerido em quantidade suficiente, geralmente numa tentativa de suicídio. O rótulo dos produtos que contêm paraquat declara que o produto deve ser mantido sempre em seu recipiente original e nunca deve ser armazenado em recipientes de alimentos, bebidas ou outros. Os produtos que contêm paraquat também devem ser mantidos em lugar seguro quando não estão em uso.
Para garantir que as pessoas que manuseiam o paraquat estejam conscientes de que ele contém produtos químicos que devem ser usados exclusivamente para o controle de ervas daninhas; as formulações de paraquat fabricadas pela Syngenta (o principal fabricante de paraquat) tiveram três agentes 'de segurança' para evitar a ingestão acidental e impedir o uso inadequado: um corante azul, um agente de alerta (um odor forte e desagradável) e um emético (para induzir o vômito). Acredita-se que essas medidas contribuíram para a redução dos acidentes.
O sistema de classificação de pesticidas do Programa Internacional para Segurança Química da OMS classifica mais de 500 produtos químicos.
| Classe | Número de IAs |
|---|---|
| “Extremamente perigoso, classe Ia” | 29 |
| “Altamente perigoso, classe Ib” | 61 |
| “Moderadamente perigoso, classe II” | 123 |
| “Levemente perigoso, classe III” | 122 |
| “Improvável que apresente perigo agudo” | 246 |
O paraquat é classificado como “moderadamente perigoso” (OMS classe II) juntamente com mais de 100 outros IAs. ?Informações sobre o sistema de classificação completo estão disponíveis aqui:
http://www.inchem.org/documents/pds/pdsother/class.pdf