Ervas daninhas e controle de ervas daninhas

Aveia selvagem infestando uma lavoura de cevadaO paraquat é usado para controlar uma gama enorme de ervas daninhas em todo o mundo, porém, para controlar ervas daninhas de maneira eficiente e sustentável, é importante entendê-las.

Por que uma planta se torna erva daninha? Como os diferentes tipos de ervas daninhas podem ser descritos? Que características e modos de crescimento de ervas daninhas podem ser alvos dos herbicidas para o controle bem sucedido? Por que o paraquat é uma ferramenta tão útil para agricultores?

O que são ervas daninhas?

Ervas daninhas geralmente são descritas como plantas indesejáveis. As ervas daninhas crescem em terras cultiváveis aguardando o plantio, e depois uma nova onda de germinação de ervas daninhas emerge com a lavoura. Em lavouras perenes, como pés frutas, videiras, seringueiras e dendezeiros, as ervas daninhas crescem continuamente; esse crescimento acompanha o clima e as mudanças de estação.

As ervas daninhas são indesejadas por muitas razões:

  • Elas competem com as plantas da lavoura por luz, água e nutrientes, reduzindo as safras e a qualidade.
  • Podem servir como habitat para pragas e doenças, de onde estas podem atacar a lavoura.
  • Ervas daninhas grandes, trepadeiras ou espinhosas podem dificultar a entrada na lavoura para controle de pragas e doenças, aplicação de fertilizantes, colheita e outros procedimentos.

As ervas daninhas geralmente são pouco estimulantes, mas nem sempre são um problema. Elas podem desempenhar um papel importante na redução da erosão do solo e servir de habitat para insetos úteis e a vida silvestre, aumentando a biodiversidade. Todavia, não são somente os efeitos sobre a lavoura atual que contam, e as ervas daninhas devem ser manejadas.  “Um ano de semeadura (de ervas daninhas) significa sete anos de remoção” diz o ditado. As ervas daninhas se tornam um problema quando atingem um tamanho ou número crítico, os quais dependem da agressividade de uma determinada espécie. O manejo de ervas daninhas é parte do trabalho de qualquer agricultor, e o paraquat é uma ferramenta muito econômica, segura para o meio ambiente e flexível.Capim-colchão: uma gramínea anual de estação quente (Digitaria spp.).

Tipos de ervas daninhas

As ervas daninhas são classificadas com base no formato das folhas, em seu ciclo de vida e em sua preferência por um clima ou estação.

  • De folhas largas

    Definição

    As folhas são "largas", ao contrário das folhas "estreitas" das gramíneas. Também chamadas 'dicotiledôneas' por terem dois cotilédones (folhas primárias produzidas pela semente), enquanto as gramíneas são 'monocotiledôneas' por terem apenas um cotilédone.

    Referências e Recursos Confiáveis Online

    A Sociedade Internacional de Ciência de Ervas Daninhas representas associações individuais em todo o mundo. Detalhes dessas associações regionais estão listados.

    ou gramíneas?  As folhas das ervas daninhas têm uma infinidade de formatos, mas as gramíneas, de folhas estreitas e longas, se distinguem claramente, sendo que todas as demais pertencem ao grupo de folhas largas, As ervas daninhas de folhas largas têm sementes com um par de órgãos de armazenamento os quais, após a germinação, se transformam nas primeiras ‘folhas’, na verdade, os cotilédones – daí o outro nome usado com freqüência: dicotiledôneas.
  • As gramíneas são monocotiledôneas.  Há algumas exceções nas quais uma monocotiledônea incomum pode ter folhas largas, como as ervas daninhas do gênero Commelina, importantes região tropical. Outra classe semelhante às gramíneas com relativamente poucos membros são os caniços. Elas são importantes porque são difíceis de controlar. Na verdade, a tiririca, junça ou “barba de bode” (Cyperus rotundus) já foi chamada de “pior erva daninha do mundo”.
  • Tiririca, junça ou "barba de bode": um caniço perene (Cyperus rotundus).Anuais ou perenes? As anuais germinam, florescem e produzem sementes em uma só estação. As perenes têm órgãos de armazenamento subterrâneos, geralmente rizomas, que possibilitam seu crescimento por muitos anos. Elas podem se reproduzir tanto através de sementes quanto pela extensão do rizoma, do qual crescem plantas filhas. Um terceiro tipo germina em uma estação e floresce na outra. São as chamadas bianuais. O inverno as faz ‘soltar’ um ramo alto florescente.
  • Estação fria ou estação quente, etc.?  As ervas daninhas evoluíram para crescer melhor em temperaturas e duração do dia específicas. Isso tende a definir o tipo de lavoura onde são encontradas e em que época germinam, por exemplo, anuais de inverno ou anuais de verão. Além disso, em climas tropicais com estações secas e chuvosas, algumas espécies tendem a predominar mais em uma estação do que na outra.

Características das ervas daninhas

As ervas daninhas são vulneráveis a herbicidas se seus processos bioquímicos internos puderem ser acessados. Quando entra na célula de uma planta, um herbicida eficaz atrapalha o funcionamento normal, causando sua morte. Entretanto, para matar a planta, todos os diversos pontos de crescimento – nas pontas dos ramos e das raízes, e os brotos em galhos e rizomas - também devem ser mortos.

Os herbicidas entram nas plantas por duas vias principais:

  1. Diretamente nos ramos
  2. Através do solo, pelas sementes, raízes ou rizomas

Os herbicidas pós-emergência entram nos ramos e alguns também agem via solo. Os herbicidas pré-emergência afetam as sementes em germinação e apresentam algum grau de persistência no solo para um efeito residual que evita novas ondas de germinação.

As raízes são adaptadas para absorver água, portanto os herbicidas solúveis ativos no solo têm um caminho fácil de entrada na planta. Os ramos das plantas têm uma espessa cutícula cerosa que auxilia na retenção de água. Os herbicidas foliares precisam cruzar essa barreira para entrar na planta. As folhas têm poros, chamados estômatos, através dos quais o dióxido de carbono, o oxigênio e o vapor d'água se difundem, porém eles geralmente são pequenos demais para permitir a penetração das gotículas pulverizadas.

Ao entrar, alguns herbicidas se movem extensivamente pela erva daninha. Esse movimento sistemático se dá pelo fluxo de transpiração ou de água, que é absorvida pelas raízes e evapora nos estômatos das folhas, ou com os açúcares produzidos pela fotossíntese, os quais são levados das folhas para os pontos de crescimento.

Uso do paraquat para controle de ervas daninhas

Depois da descoberta das propriedades do paraquat como herbicida, levou algum tempo para que as mesmas fossem totalmente apreciadas. Isso ocorreu porque sua atividade parecia bastante limitada. Embora tenha impressionado com o extermínio rápido de ervas daninhas de folhas largas e gramíneas, ele também matava todas as lavouras e não tinha atividade no solo, não podendo, portanto, controlar novas ondas de germinação. Além disso, ele não tinha atividade sistêmica, o que impedia que se movimentasse até os pontos de crescimento, principalmente para controlar ervas daninhas perenes. No entanto, cientistas agrícolas perspicazes e práticos perceberam que tais características podiam ser vantagens exclusivas.

O paraquat é inativado imediatamente ao entrar em contato com o solo, pois se liga muito fortemente às partículas do solo. Portanto, não pode afetar nenhuma lavoura por absorção pelas raízes. Isso significa que ele pode ser usado seletivamente antes do plantio da lavoura ou entre as fileiras em pomares, plantações e legumes. Ele não pode lixiviar para a água subterrânea nem afetar nenhum organismo útil para o solo.

Ter apenas atividade de contato significa que o paraquat remove rapidamente o problema imediato das ervas daninhas, destruindo os ramos, mas permite novo crescimento a partir de brotos subterrâneos ou sementes. Os solos são protegidos da erosão, pois as raízes permanecem no mesmo, proporcionando ancoragem e estrutura e os ramos crescem novamente para cobrir o solo e dispersar o impacto de gotas de chuvas, que causam erosão. Novas ondas de germinação podem ser removidas rapidamente por uma nova pulverização com paraquat.

Embora algumas gramíneas perenes ‘suaves’ sejam eliminadas somente com paraquat, elas podem ser úteis no controle de erosão e proporcionando habitats para insetos úteis. Porém, há ervas daninhas perenes agressivas que requerem o uso do herbicida não seletivo sistêmico glifosato no seu controle.

O glifosato é um herbicida muito eficiente. Como o paraquat, ele não tem atividade no solo, mas ele não é uma panacéia e o glifosato e o paraquat podem ser usados de maneiras complementares para otimizar o controle de ervas daninhas. Embora o glifosato controle ervas daninhas perenes agressivas, sua ação é lenta e ele não é resistente à chuva. Com tempo ensolarado, o paraquat extermina ervas daninhas perenes leves em poucas horas e, caso haja ameaça de tempestade, o paraquat se torna resistente à chuva em apenas 15-30 minutos. Ao contrário do glifosato, o paraquat também funciona bem em tempo frio, quando as ervas daninhas crescem lentamente.

O paraquat pode ser usado seletivamente, evitando danos à lavoura; simplesmente deve-se certificar que a pulverização não entre substancialmente em contato com as folhas da lavoura. As ervas daninhas podem, portanto, ser controladas nas faixas entre as fileiras da lavoura com paraquat, enquanto que o risco de dano com o glifosato (sistêmico) é muito grande. O paraquat também é seguro em árvores e arbustos, pois não consegue penetrar a casca.

Ervas daninhas resistentes a herbicida

Conyza canadensis (buva): uma erva daninha de folhas largas com resistentes ao glifosato.Em muitas partes do mundo, algumas ervas daninhas importantes não são mais controladas por herbicidas antes eficazes.

Cada caso de resistência de erva daninha começou com uma erva daninha individual diferente que teve alguma mutação rara tornando-a capaz de escapar dos danos causados por um herbicida específico. Os descendentes de tais indivíduos acabaram por dominar certas populações. As ervas daninhas que adquiriram resistência ao glifosato são particularmente preocupantes.

Por 20 anos após a introdução do glifosato, considerava-se que a resistência de ervas daninhas ao mesmo fosse altamente improvável.

Porém, quando lavouras GM resistentes ao glifosato começaram a ser cultivadas, a quantidade de glifosato aumentou demais – assim como a chance de se encontrar ervas daninhas com mutações resistentes. Nos últimos anos, populações de diversas ervas daninhas muito significativas se tornaram resistentes aos glifosato.
A resistência de ervas daninhas ao paraquat é conhecida, porém os casos são raros e insignificantes em comparação com outros herbicidas, como as sulfoniluréias e os inibidores de ACC-ase. Na verdade, o paraquat tem um papel muito importante a desempenhar no combate à resistência de ervas daninhas. O paraquat pode ser usado como um herbicida não seletivo alternativo. A melhor opção é usar o paraquat em pulverizações de extermínio para remover as ervas daninhas da terra antes de plantar lavouras resistentes ao glifosato para controle de ervas daninhas pós-emergência. Não existe substituto viável para o glifosato no controle de ervas daninhas perenes, portanto o uso do paraquat desta forma protege o uso desse precioso herbicida.

Para recomendações detalhadas e os mais recentes usos aprovados dos produtos paraquat da Syngenta, por favor, consulte o rótulo atual adequado para cada país ou entre em contato com a Syngenta.