Cultivo de banana

Banana amadurecendoCampeões do tênis em Wimbledon, como Maria Sharapova, sabem que a banana é um tipo de fast-food que faz bem. Eles comem banana entre os sets para uma explosão rápida, porém prolongada de energia. A banana é rica em carboidrato, potássio e vitaminas, inclusive A, C e B6. É uma boa fonte de fibra alimentar e não contém gorduras.

Todavia, a banana é muito mais que isso: 98% das bananas são cultivadas em pequenas fazendas de países em desenvolvimento e constituem um alimento básico para mais de 400 milhões de pessoas que vivem nos trópicos.

A Organização para Alimentos e Agricultura das Nações Unidas (FAO) classifica a banana como a quarta lavoura mais importante do mundo, depois dos principais cereais.

Na Índia, a banana é chamada de "kalpatharu", que significa "erva com todos os usos imagináveis". As bananeiras são uma lavoura surpreendentemente versátil, não apenas como alimento, mas com muitos outros usos, inclusive aplicações medicinais e como fonte de fibra das folhas. As plantas de banana também são cultivadas como apoio para muitas outras lavouras que precisam de sombra, como cacau, café, pimentas e noz moscada.

As plantações de banana podem ser um ambiente frágil e o solo, a água e a biodiversidade precisam de cuidados especiais. As bananeiras precisam de proteção contra ervas daninhas, pragas e doenças, que prosperam caso não sejam acompanhadas em climas tropicais, portanto, as abordagens do controle integrado de praga (CIP) são largamente utilizadas para garantir que as lavouras sejam protegidas de maneira sustentável. O controle de ervas daninhas está no âmago dos sistemas de CIP e o herbicida não seletivo paraquat tem um papel crucial.

O paraquat é uma ferramenta essencial nas plantações de banana

Todas as partes verdes das plantas podem ser destruídas pelo paraquat, pois ele age interferindo na fotossíntese, um processo fundamental das plantas. O modo de ação do paraquat significa que um espectro muito amplo de ervas daninhas são controladas. Entretanto, embora seja denominado ‘não-seletivo’, o paraquat é seguro para as lavouras de banana por dois motivos. Primeiro, ele é imobilizado em contato com o solo, o que significa que não pode se mover para as raízes e ser absorvido pelas plantas.

Você pode ler mais sobre as propriedades exclusivas de paraquat no solo aqui.

Segundo, ele é pulverizado em volta das plantas da lavoura e, mesmo que pequenas quantidades de paraquat caiam em folhas da lavoura, o dano é muito pequeno ou inexistente, assim como quando resíduos alcançam as raízes, porque o paraquat não se move sistemicamente pelas plantas, como o herbicida não-seletivo alternativo, o glifosato.

O uso intensivo do glifosato causou novos problemas com ervas daninhas, pois espécies menos bem controladas se ‘alteraram’, tornando-se mais dominantes, e algumas espécies desenvolveram biótipos resistentes ao glifosato. O uso do paraquat como um herbicida não seletivo alternativo, com um modo de ação diferente, está ajudando a evitar problemas de alteração de ervas daninhas e resistência.

Ao contrário do glifosato, o paraquat tem ação muito rápida e é resistente à chuva. As plantas daninhas pulverizadas pela manhã geralmente apresentam sintomas à tarde, facilitando a visualização, por parte dos operadores de pulverização e administradores de plantação, de quais áreas já foram pulverizadas. Isso ocorre mesmo que chova dentro de 15-30 minutos, possibilitando a pulverização por um período maior em caso de previsão de chuva.

Um vídeo mostrando a insuperável velocidade de ação do paraquat pode ser visto aqui.

Em lavouras perenes como as bananeiras, a ênfase está no controle das ervas daninhas, e não em sua remoção permanente. Isso porque a manutenção de um equilíbrio específico de ervas daninhas na flora da plantação é importante para a sustentabilidade através de técnicas de controle integrado de pragas e para a minimização da erosão do solo pelo efeito de âncora das raízes de plantas.

O paraquat tem um perfil ambiental muito forte. Ele não lixivia e se degrada no solo. Maiores detalhes sobre a segurança do paraquat para o meio ambiente, operadores de pulverizador e consumidores podem ser encontradas visitando diferentes seções do Centro de Informações sobre Paraquat ou consultando os Dados e Fatos sobre o Paraquat.

Você pode ler mais sobre os benefícios do paraquat aqui.
 

Produção Mundial de Banana

Uma flor de bananeiraAs bananeiras (Musa paradisiaca L.) são plantas herbáceas, não árvores, apesar de terem um aparente ‘tronco’ e de crescerem tipicamente até os 6 m de altura. O ‘tronco’, ou pseudocaule, é composto de lâminas foliares firmemente enroladas que saem de um broto em um órgão subterrâneo de armazenamento chamado rizoma. Cerca de 30 folhas emergem do broto 7-8 meses antes da florada. A grande ‘estaca’ floral tem flores macho e fêmea separadas.

Após a polinização, o fruto da bananeira se desenvolve na base das flores fêmeas, agrupado em várias ‘mãos’ em cada cacho. Botanicamente, o fruto da bananeira é uma baga, porém, os cultivares comerciais não têm sementes, sendo estéreis.
Depois de 2-3 meses, os cachos, pesando tipicamente 20-25 kg, estão prontos para a colheita. Cada bananeira floresce somente uma vez antes de morrer, porém, brotos secundários são enviados subterraneamente, pelo tronco principal, para produzir plantas-filhas, as quais darão a próxima safra.

Há muitos tipos de variedades de banana, muitas das quais surpreenderiam os consumidores ocidentais, acostumados à onipresente variedade Cavendish, do deserto, encontrada nos supermercados. Outras incluem a Banana da Terra originária do Equador e têm casca marrom-avermelhada, Lactatans, das Filipinas, que são muito aromáticas e Manzanos e Burros, que têm leves sabores de maçã e limão, respectivamente. Outras variedades exóticas geralmente são consumidas apenas localmente, pois não suportam bem o armazenamento ou têm cascas finas e se danificam com facilidade.

Produção e comércio de banana

Onde a banana é cultivada?

Distribución de bananas en el mundo (FAO, estadísticas 2012)A banana é cultivada em climas tropicais, onde o calor, a luz solar e a água são abundantes. São necessárias temperaturas médias de cerca de 25oC e precipitação mensal de aproximadamente 10 cm, apenas com curtas estações secas.

O vento pode ser um problema para as bananeiras. As folhas podem se rasgar ou quebrar e ventos fortes podem tombar as plantas, a menos que estas sejam escoradas, especialmente quando carregadas de fruta.

Os melhores solos são os de drenagem livre e ricos em matéria orgânica, idealmente com um pH levemente ácido.

O acesso fácil a estradas e linhas ferroviárias é importante para a rápida distribuição das frutas colhidas.

Produção e comércio

A banana é cultivada em mais de 130 países, mas a produção está altamente concentrada. Os dez maiores países produtores representam mais de 75% da safra mundial. Durante a última década, a produção mundial de banana cresceu mais de 40%. Algumas das mudanças mais marcantes ocorreram na Ásia. A produção aumentou em 83% na China, 73% nas Filipinas e 87% na Índia. A área de cultivo de banana na China aumentou em 60% durante este período, e as safras aumentaram de 22,5 para 26,9 toneladas/ha. A safra média de bananas no mundo em 2012 foi de 20,6 toneladas/ha, porém, as melhoras safras são muitas vezes esse valor, especialmente as de países da América Central, por exemplo, tipicamente em torno de 50 toneladas/ha na Costa Rica.

A produção de banana se caracteriza por grandes produtores com uso essencialmente doméstico de suas safras como Índia, China e Brasil, e grandes exportadores. A América Latina e o Caribe fornecem mais de 80% das exportações. Muitos destes países são altamente dependentes da banana para uma parte significativa de sua renda externa, por exemplo, até 20% em alguns deles.

Embora menos de 20% da produção de banana seja exportada, isso a torna uma das frutas mais valiosas no comércio mundial. Você pode ler mais sobre o comércio mundial de banana aqui e aqui

Os muitos usos da banana

A banana, obviamente, é uma deliciosa refeição que já vem embalada para viagem e geralmente é comida crua, porém, as bananas e tanchagens (na verdade os nomes são usados alternadamente em várias partes do mundo) também podem ser comidas cozidas em água, cozidas no vapor, amassadas e enroladas em bolas como ‘foutou’, grelhadas, assadas ou fritas; uma farinha para bolos e biscoitos é feita nos trópicos; e, nas Filipinas, o ketchup de banana é popular. Uma cerveja feita do suco da fruta madura é popular na África central. Animais, especialmente porcos, são criados com os excessos de fruta.

A banana tem diversos usos medicinais. Comer uma banana pode auxiliar a digestão, graças ao alto conteúdo de vitamina A e há relatos de que a fruta madura é usada para tratar asma e bronquite. Até mesmo a casca é útil como emplastro ou curativo de emergência para feridas, pois a parte interna da casca supostamente tem propriedades anti-sépticas e já foi afirmado que a mesma remove verrugas.

Há um grande número de usos industriais da banana:

  • A fibra das folhas de bananeira produz um papel forte e é usada para fazer cédulas de dinheiro e pacotes de chá. As ‘Fibras Manila’ são derivadas das folhas da variedade de banana ‘Abaca’, usada para fazer sacos e corda.
  • As folhas são usadas no preparo e armazenamento de alimentos e como palha de cobertura.
  • Uma cola à base de amido extraída dos pseudocaules é usada na fabricação das embalagens de banana.
  • A seiva da banana pode ser usada como corante.

Produção sustentável de banana

Cultivo da banana

As plantações de bananeiras devem ser replantadas pelo menos a cada 7-10 anos, pois então as safras entram em declínio. Todos os restos da lavoura anterior têm que ser erradicados, através de desenterramento ou destruição por um herbicida sistêmico para evitar a passagem de pragas e doenças. Após a preparação do solo, um legume como Calopogonium spp., Puereria spp. ou Stylosanthus spp. é plantado. Estes são cavados como fertilizantes vegetais poucos anos antes da plantação da lavoura de banana. A maioria das bananas são clones, e uma nova lavoura é plantada usando partes do rizoma que contenham um broto, conhecidos como ‘pedaços’, ou brotos secundários (de cerca de 4 meses de idade) de plantas bem estabelecidas. Os últimos são aparados para 50 cm e mergulhados numa solução de permanganato de potássio antes da plantação em um buraco preenchido com adubo. O potássio é um nutriente particularmente importante para a banana e diversas aplicações, em juntamente com o nitrogênio, são realizadas todos os anos. Fosforoso e cal são aplicados com menor frequência.

As novas plantas parentais são espaçadas em uma área mais extensa caso a plantação esteja em um ciclo mais longo de replantação, ou se for alternada, por exemplo, com borracha ou dendezeiro. Essas lavouras têm maturação lenta e, sendo atingindo o ponto de colheita muito mais rapidamente, a banana permite algum retorno rápido. O cacau é outra espécie com a qual a banana é plantada lado a lado. O cacau jovem se beneficia da sombra que as bananeiras fornecem.

Quatro meses após a plantação, os brotos das plantas parentais são removidos para deixar um ramo filho, idealmente, crescendo na fileira da lavoura. Isso estabelecerá o ciclo de novas plantas filhas crescendo para fornecer safras sucessivas. As folhas mais secas e as encurvadas são cortadas porque podem interferir na pulverização, sombrear os brotos secundários, causar manchas nas frutas, abrigar pragas e doenças e constituir um risco de incêndio. Conforme a fruta cresce, as pencas em desenvolvimento são escoradas ou as plantas são amarradas para suportar o peso. As frutas são cobertas para melhorar o desenvolvimento e proteger contra manchas.

As pencas de banana estão prontas para colheita cerca de 10 semanas após a abertura das primeiras flores. As frutas estão totalmente desenvolvidas, porém, ainda estão verdes. Um manejo cuidadoso é necessário e deve-se evitar a luz para não induzir o amadurecimento durante o transporte até o galpão de embalagem. As bananas geralmente são amadurecidas sob temperatura e umidade controladas em depósitos, e expostas ao gás etileno.

Pragas e doenças

Os insetos-praga da banana incluem a broca do rizoma (Cosmopolites sordidus), que põe ovos na base dos brotos. Quando as larvas saem do ovo, elas comem o coração do broto. Outros incluem afídeos (“bunchy top”), tripes e insetos-escama. Os nematódeos são um problema muito comum e grave, alimentando-se das raízes e rizomas. Diversas espécies, inclusive Pratylencus spp. e Meloidogyne spp. Eles geralmente fornecem um ponto de entrada para fungos da terra, por exemplo, Fusarium. Nas Filipinas, por exemplo, os nematódeos os quais são pragas comuns são Radopholus similis e Helicotylenchus spp.

As doenças fungosas incluem o mal do Panamá (Fusarium oxysporum f. sp. cubense), que é uma podridão carregada pelo solo a qual causa a quebra das folhas. Na década de 1950, o mal do Panamá eliminou a então onipresente variedade Gros Michel. Sua sucessora, a banana Cavendish, originalmente resistente, foi atacada por uma mutação em 1992, a qual destruiu a lavoura malaia. Até o presente esta cepa está confinada à Ásia, mas há temores de que chegue à América Latina e ao Caribe. Outra doença grave é a sigatoka negra (Mycosphaerella fijiensis var. difformis) que faz as folhas ficarem com uma mistura das cores amarela, marrom e preta. Esta doença reduziu as safras em 40% em Uganda.

O moko ou murcha bacteriana é um apodrecimento causado por Pseudomonas solanacearum, que reduziu seriamente a produção na Colômbia. É transmitida por insetos, facões e outras ferramentas, resíduos de plantas, solo e através do contato entre raízes. Na Colômbia, há diversas espécies de ervas daninhas portadoras da doença que podem infectar as bananeiras.

Manejo de ervas daninhas

Climas tropicais, com muita luz solar, calor e umidade, significam que as ervas daninhas prosperam e podem competir com as lavouras por espaço, água e nutrientes, além de sombrear as plantas cultivadas, principalmente quando estas são jovens. Um grande número de ervas daninhas, tanto anuais como perenes, infesta as plantações de banana e o controle de ervas daninhas é muito importante nos meses iniciais após a plantação, antes que as plantas desenvolvam uma proteção suficiente de folhas para sombrear as ervas daninhas.

A segurança da lavoura é especialmente importante durante o controle de ervas daninhas na banana, pois o próximo ciclo de colheita depende de uma nova lavoura de brotos-filhos secundários. Estes são muito suscetíveis a herbicidas sistêmicos de amplo espectro baseados em glifosato. O paraquat pode ser usado com segurança ao redor de plantas parentais e filhas, sem temor de que uma deriva acidental da pulverização possa causar danos a nenhuma das gerações.

Após muitos anos de experiência, grandes empresas produtoras de banana adotaram programas de pulverização envolvendo a aplicação precisa de paraquat a cada quatro semanas como pulverização localizada. Esta abordagem significa que apenas pequenas taxas de paraquat (0,5 l/ha ou menos) são necessárias para controlar pequenas ervas daninhas, as quais são removidas com facilidade antes de competirem com a lavoura ou florescerem, devolvendo sementes de ervas daninhas ao solo.

ESTUDO DE CASO: Paraquat mantém a biodiversidade nas plantações de banana da Costa Rica

A Syngenta (através de sua empresa herdada, Zeneca), colaborou com a EARTH (Escuela de Agricultura de la Region Tropical Humeda), Del Monte e Dole, e mostrou como a biodiversidade pode ser mantida em plantações comerciais de banana na Costa Rica. Os produtores de banana de lá usam o paraquat para controlar as ervas daninhas da plantação ao mesmo tempo em que reduzem a erosão do solo e mantém a biodiversidade, incluindo peixes, anfíbios, répteis e aves.

Uma fonte de água bem administrada é crucial para a produção de banana. As bananeiras precisam de um fornecimento constante de água – pelo menos 160 mm/mês – porém, não suportam o solo encharcado. Na estação chuvosa tropical, alguns meses podem ter mais de 1000 mm de excesso de precipitação. Nas plantações comerciais, a água excessiva é removida por um elaborado sistema de canais de drenagem, os quais também garantem o suprimento de água na estação seca. As bordas desses canais são um paraíso para a vegetação e a vida selvagem.

Para a produção sustentável, é importante que a vegetação seja controlada para não reduzir a safra de bananas colhidas, ao mesmo tempo em que mantém a biodiversidade na plantação. Manter os habitats dos predadores de insetos pragas, por exemplo, é uma meta crucial. O paraquat é um herbicida ideal neste aspecto devido à sua ação não sistêmica e não-residual, o que quer dizer que ele controla somente as ervas daninhas apontadas pelos operadores de pulverizador. O paraquat não se move pelo solo e, portanto, não pode ser absorvido pelas raízes de plantas que não são alvos; além disso, ele controla somente o crescimento da parte superior. Assim, o sistema de raízes de plantas perenes e grandes permanece intacto para fornecer uma valiosa estrutura extra ao solo, o que minimiza a erosão em declives vulneráveis e ajuda a evitar que a terra obstrua os canais. A manutenção da presença de uma vegetação não competitiva mantém uma fonte de matéria orgânica, essencial para solos saudáveis. Como o paraquat se liga de maneira extremamente firme às partículas do solo imediatamente no momento do contato, ele não consegue lixiviar para os lençóis freáticos ou contaminar a água dos canais caso haja algum escorrimento superficial.

Referências & Recursos

Associações de Banana

Associação dos Exportadores de Banana do Caribe

Produção mundial e comércio

FAOSTAT