Dados e Fatos sobre Paraquat

O que é paraquat?

Colheita de trigoO paraquat é um herbicida (exterminador químico de ervas daninhas) usado no controle de uma ampla variedade de ervas daninhas (plantas indesejáveis) em mais de 100 lavouras, inclusive cereais, sementes oleaginosas, frutas e legumes, que crescem em todas os climas. As ervas daninhas sombreiam as lavouras, tiram sua água e nutrientes, e dificultam as colheitas. O principal fabricante do paraquat é a Syngenta que (ainda como ICI) desenvolveu esse ingrediente ativo (IA) no início da década de 1960. Desde então, o paraquat possibilitou muitas inovações nos sistemas agrícolas sustentáveis, por sua simplificação da produção de lavouras, controlando as ervas daninhas efetivamente e, ao fazê-lo, eliminando a necessidade de aragem para enterrá-las. Isso liberou mais tempo para o agricultor e também ajudou a cuidar do solo. O paraquat é um dos herbicidas mais amplamente usados no mundo. Seu uso foi aprovado pelas autoridades de cerca de 90 países. Quando utilizado conforme recomendado, o paraquat é eficaz e seguro para usuários, consumidores e o meio ambiente.

Fatos fundamentais sobre o uso seguro e eficaz do paraquat são apresentados abaixo. Este resumo de dados e fatos também contém uma lista referencial de trabalhos científicos e outras publicações, além de um resumo de informações técnicas.

Porque Agricultores Usam Paraquat

A pulverização com paraquat permite que milhões de agricultores produzam lavouras melhores, com maior facilidade, enquanto respeitam o meio ambiente. Paraquat possui um conjunto de características exclusivas:

Controle rápido e efetivo de ervas daninhas

  • O paraquat rapidamente acaba com a concorrência das ervas daninhas, controlando a maioria das ervas daninhas anuais e suprimindo as perenes. Sua ação rápida pode possibilitar o plantio de mais de uma lavoura dentro de uma mesma estação.
  • O uso extensivo do paraquat produziu pouca resistência em ervas daninhas, especialmente comparado com lançamentos mais recentes, por exemplo, herbicidas de sulfoniluréia. Nos casos em que houve o surgimento de biótipos resistentes, estes não tiveram impacto significativo sobre a agricultura.
  • O outro importante herbicida ‘não-seletivo’ de amplo espectro, o glifosato, apresenta um problema crescente com ervas daninhas resistentesDefinição A capacidade herdada de uma planta/erva daninha de sobreviver a uma dose de herbicida normalmente letal para sua espécie. Referências e Recursos Confiáveis Online http://www.weedscience.org/in.asp O Questionário Internacional de Ervas Daninhas Resistentes a Herbicidas monitora a evolução de espécies resistentes e avalia seu impacto. Todos as ocorrências confirmadas de novos casos são listadas.. O paraquat é visto por muitos agricultores e cientistas como elemento essencial no manejo desta questão, por proporcionar uma alternativa não-seletiva. Visite o website do International Survey of Herbicide Resistant Weeds (Levantamento Internacional sobre Ervas Daninhas Resistentes a Herbicidas – www.weedscience.org) para maiores informações sobre a resistência em ervas daninhas.

Confiável em todos os climas

  • Chuva, poucos minutos após a aplicação por pulverização, tem pouco ou nenhum efeito prejudicial sobre o desempenho do paraquat. Uma quantidade suficiente de paraquat penetra rapidamente nas folhas antes que a chuva consiga remover quantidades significantes do produto. Mesmo nos trópicos, o paraquat é consistentemente resistente à chuva em apenas 15-30 minutos após a aplicação.
  • Ao contrário da maioria dos herbicidas, o paraquat também é eficaz sob baixas temperaturas, quando as ervas daninhas têm pouco crescimento ativo. Isso torna o paraquat uma opção adequada para a preparação precoce de sementeiras e para muitas culturas de pomar no outono.

Seguro para as lavouras

  • O paraquat apresenta somente ação por contato. Os tecidos vegetais pulverizados são destruídos tão rapidamente que nenhuma quantidade significativa migra das folhas para as partes mais distantes não pulverizadas, como raízes e pontos vegetativos. Ao contrário do glifosato, que age lentamente e migra dentro das plantas, pequenas imprecisões de pulverização ou deriva (quantidades de produto levado pelo vento) não são problema para as lavouras tratadas com paraquat. O paraquat pode ser usado com segurança para o controle de ervas daninhas entre as fileiras de plantas (“aplicação entre fileiras”) em muitas lavouras aráveis e de legumes.
  • O paraquat não penetra a casca madura de árvores e pode ser pulverizado com segurança ao redor de árvores e sob arbustos. O uso do glifosato traz risco de danos permanentes a lavouras como videiras e árvores jovens. A alternativa – os cultivos mecânicos – pode danificar os sistemas de raízes.
  • No solo, o paraquat é desativado biologicamente ao ser rápida e fortemente absorvido por partículas de terra. A ausência de atividade ‘residual’ no solo significa que o paraquat pode ser aplicado antes das lavouras serem plantadas ou das mudas emergirem.

Respeita o solo

  • No solo, o paraquat se torna indisponível para as plantas e para todos os tipos de animais e microorganismos; portanto, não consegue afetá-los.
  • Apesar do paraquat matar rapidamente os brotos de ervas daninhas, as raízes se decompõem lentamente, proporcionando um efeito ancorador para o solo em declives sujeitos à erosão.

Perfil de Segurança Ambiental

A exclusiva combinação de propriedades biológicas e físico-químicas do paraquat, particularmente ação rápida e sua absorção extremamente forte pelo solo, proporcionam um perfil ambiental muito forte.

Absorção pelo solo e degradação

  • Solos de vários tipos são capazes de absorver quantidades muito grandes de paraquat. O conteúdo de argila é importante, porém, mesmo para solos mais leves, a capacidade de absorção nos centímetros mais superficiais é capaz de desativar muitos quilogramas de paraquat por hectare.
  • Quantidades muito pequenas de paraquat são liberadas continuamente da argila para a água do solo. Ali, os micróbios do solo o degradam em dióxido de carbono, amônia e água, evitando seu acúmulo no solo.
  • Sem lixiviação, escorrimento ou drenagem para os lençóis freáticos
  • Embora seja altamente solúvel em água, o paraquat não sofre lixiviação para os lençóis freáticos devido à sua forte absorção pelo solo. O paraquat é virtualmente imóvel no solo.

Resíduos na lavoura

  • Não há problema em relação a resíduos de paraquat nas lavouras pós-colheita. Paraquat é pulverizado para controlar as ervas daninhas em torno das plantas cultivadas como alimento. Qualquer quantidade de paraquat que se caia sobre folhas tem bastante dificuldade para penetrar, e ainda mais dificuldade para se deslocar para os grãos ou tubérculos. Além disso, a radiação UV da luz solar degrada o paraquat das superfícies foliares e a absorção do solo evita sua entrada via raízes. O paraquat pode ser utilizado nas lavouras para facilitar a colheita, mas os grãos e tubérculos não são afetados.

Segurança para os animais de criação, animais domésticos, vida silvestre e fauna do solo

  • Contanto que as deposições de pulverizado tenham secado, não há risco para a saúde de animais domésticos adentrando os campos pulverizados com paraquat, ou para animais de criação pastando na vegetação pulverizada com de diluições normais recomendadas. Paraquat se fixa fortemente aos tecidos da planta e, portanto, não é absorvido facilmente nos animais. Quaisquer traços do produto são rapidamente excretados.
  • Populações de aves silvestres monitoradas ao longo de um período de cinco anos numa propriedade rural onde o paraquat era pulverizado muito mais intensivamente do que o habitual, inclusive com aplicação sob cercas vivas e ao longo de cercas, não foram afetadas adversamente, nem em termos de densidade de população nem de variedade de espécies. Programas de monitoramento de longo prazo da vida silvestre na França e no Reino Unido demonstraram que o paraquat não é uma causa significativa de morte de lebres ou de declínio em sua população.
  • Como o paraquat não é biologicamente ativo no solo, ele não tem efeitos adversos sobre a fauna do solo.
     Definição A ocorrência de excesso de líquido (como chuva) que origina se origina na parte alta do terreno e se acumula além da capacidade de absorção do solo. Quando isso ocorre, o excesso de líquido escorre pela superfície até chegar à água superficial mais próxima (reservatório d'água, lago, rio).

Segurança na água

  • Quando usado conforme recomendado, o paraquat não representa risco para peixes ou invertebrados, pois não consegue lixiviarDefinição O processo natural pelo qual as substâncias solúveis em água são carregadas para baixo, através do solo, até as águas subterrâneas. para a água. Mesmo se a pulverização do paraquat derivar para lagos, rios ou águas paradas, este é removido rapidamente pela absorção para plantas sedimentos e pela degradação microbiana. Estudos ecológicos abrangentes mostraram que o paraquat não representa risco para ambientes aquáticos.

Segurança do Usuário

Fabricação e formulação

  • O paraquat é fabricado pela Syngenta de acordo com as normas da FAO, que especificam a pureza e precisão das concentrações de produtos. A Syngenta incorporou ao produto vários elementos de reforço à sua segurança. Um corante dá aos produtos de paraquat da Syngenta uma cor distinta; um agente odorífero possui cheiro desagradável que serve de alerta; e um emético eficiente induz o vômito. Essas precauções são elementos adicionais inseridos no conceito de administração de responsabilidade e vigilância, conhecido como “Stewardship”, para minimizar o risco de ingestão acidental. Outros fabricantes não utilizam necessariamente tais elementos de fabricação e segurança. Paraquat é tipicamente diluído de 50 a 100 vezes em água para sua utilização.

Exposição e segurança do operador

  • O paraquat não é volátil e as gotículas pulverizadas são grandes demais para entrar nos pulmões. Portanto, a pele é a via potencial mais provável de exposição. Como paraquat é mal absorvido pela pele humana (< 0,3%) no uso normal, a exposição é bastante baixa – muito abaixo dos níveis em que se poderiam esperar efeitos adversos. Muitos experimentos ao longo dos últimos 50 anos confirmaram isso.

Toxicidade oral

  • Como outros pesticidas, o concentrado de paraquat pode ser fatal quando ingerido em quantidades suficientes. O máximo de cuidado deve sempre ser tomado para evitar a ingestão de pesticidas. Uma exposição mínima é possível através de dedos ou luvas contaminados, ou deriva de pulverização, mas em quantidades desprezíveis tais que não se espera que possam causar dano em qualquer prática de uso normal.

Irritação da pele e olhos

  • Embora seja classificado como um irritante, a simples lavagem com água facilmente remove da pele e dos olhos os respingos acidentais de paraquat.

Inalação

  • O paraquat não produz vapor e os operadores não conseguem inalar gotículas produzidas pelos pulverizadores normais do tipo mochila ou movidos por trator. Para entrar nos espaços aéreos nos pulmões, uma partícula deve ter menos de 10 microns de diâmetro, mas a maioria das gotículas de pulverização são de 10 a 20 vezes maiores. A diferença relativa de tamanho entre uma gotícula normal de pulverização e uma gotícula capaz de ser inalada para os pulmões é comparável à diferença entre uma bola de futebol e uma uva. Gotículas de pulverização não conseguem ser inaladas para os pulmões.

Efeitos de longo prazo

  • O paraquat não causa câncer. Ele não é uma toxina reprodutiva nem toxina que afeta o desenvolvimento, e não tem efeitos tóxicos sobre os sistemas nervoso e endócrino.

Segurança do consumidor

  • Sob condições normais, o paraquat não se acumula na cadeia alimentar, pois não é armazenado ou acumulado no corpo. Os resíduos não apresentam risco para os consumidores.

Primeiros socorros de emergência

Se paraquat for ingerido:

  • Tente vomitar, se ainda não o fez.
  • Misture 150g de Terra de Fuller (argila absorvente de Fuller) em 1 litro de água, agite bem, beba a solução de Fuller e vomite dentro de um saco.
  • Misture sal amargo (Sal de Epsom = sulfato de magnésio, MgSO4), ou outro purgativo em água, agite bem e beba.
  • Telefone para um pronto socorro hospitalar e vá imediatamente, levando o saco de vômito consigo.

Registro do paraquat

Todos os produtos de proteção à lavoura devem obrigatoriamente ser aprovados por autoridades governamentais e reguladoras antes de serem comercializados. O paraquat foi pesquisado mais profundamente, submetido a mais testes científicos e estudos de campo, durante mais tempo do que, provavelmente, qualquer outro produto de proteção à lavoura. Ele foi estudado pela Agência de Proteção ao Meio Ambiente dos Estados Unidos (US Environmental Protection Agency – EPA), a Reunião Conjunta sobre Resíduos de Pesticidas da ONU (Joint Meeting on Pesticide Residues – JMPR), que reúne especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização de Alimentos & Agricultura (Food & Agriculture Organization – FAO), e por muitas universidades e autoridades governamentais.

Países registram o paraquat somente após uma avaliação detalhada e custosa de riscos e benefícios. A eficiência do produto, sua toxicidade no curto e longo prazo, a segurança do operador e seu comportamento no meio ambiente, inclusive níveis de resíduos em lavouras alimentícias e seus efeitos sobre a vida silvestre, são todos estudados e avaliados a fundo. 

Alguns países, particularmente entre os países em desenvolvimento, não têm a capacidade de avaliar e regular produtos de proteção à lavoura. A Syngenta insiste que os produtos de paraquat vendidos nos países em desenvolvimento tenham aprovação atual de agentes reguladores em algum país pertencente à OECD (Organization for Economic Co-operation & Development – Organização para a Cooperação Econômica & Desenvolvimento). Ao aprovar seu uso, baseado no exame detalhado especializado de informações obrigatórias, as autoridades governamentais ao redor do mundo concordam que o paraquat pode ser manuseado e pulverizado por usuários que tomarem precauções normais para se protegerem, e para protegerem o público e o meio ambiente.

Referências

Os benefícios práticos do paraquat para a produção de lavouras

Chee et al (1993). Planters' Bulletin, 216, 80-86.

Chia et al (2003). 19th Asian-Pacific Weed Science Society Conference.

Derpsch et al (1991). Controle da erosão no Paraná, Brasil: sistemas de cobertura do solo, plantio diretoDefinição Também conhecido como lavoura de conservação ou plantio direto, é uma maneira de cultivar lavouras ano a ano sem perturbar o solo através do preparo do solo, ou seja, cultivo do solo geralmente com implementos aplicados por trator. Referências e Recursos Confiáveis Online http://www.no-till.com/ Um portal de informações online sobre o plantio direto. e preparo conservacionista do Solo. Eschborn, Germany, GTZ. ISBN 3-88085-433-5, pp. 76, 101, 112, 113, 268.

Grime (1979). Plant Strategies and Vegetation Processes, p222. Wiley: New York.

Website do Levantamento Internacional de Ervas Daninhas Resistentes a Herbicida (International Survey of Herbicide Resistant Weeds website) www.weedscience.org.

Schmidt et al (1994). Australian Journal of Agriculture, 45, 547-564.

Os benefícios do paraquat para o cuidado do solo

Hayward et al (1980). Outlook on Agriculture 10, 255-261.

Roldan et al (2003). Soil and Tillage Research, 72, (1), 65–73.

Shui Jian-guo et al (2004). 13th International Soil Conservation Organization Conference, Brisbane, July 2004.

Os benefícios sociais do paraquat

Barnett (2002). The XIV International Conference on HIV/AIDS, Barcelona.

Sorrenson (1998). Economics of no-till compared to traditional cultivation on small farms in Paraguay.

Asunción: MAG/GTZ Soil Conservation Project.

Segurança do paraquat para usuários

Schenker (2004). American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, 170, 773-779.

Wester et al (1984). Journal of Toxicology and Environmental Health, 14, (5-6), 759-62.

Paraquat no solo e na água

Helling (1971). Proceedings of the Soil Science Society of America, 35, 737-743.

Roberts et al (2002). Journal of Agricultural and Food Chemistry, 50, 3623–3631.

Segurança do paraquat para a vida silvestre

Edwards et al (2000). Agriculture, Ecosystems and Environment, 79, 95-103.

Segurança para a fauna do solo

Satchell (1983). Earthworm Ecology (Chapter 10). Institute of Terrestrial Ecology, UK.

Dados Técnicos

 Propriedades químicas e físicas do paraquat
O ingrediente ativo do paraquat é um sólido não volátil branco e cristalino, que se funde e decompõe a 300°C. Extremamente solúvel em água, ele é praticamente insolúvel na maioria dos solventes orgânicos. O paraquat é formulado como o sal dicloreto.
Nome Comum: paraquat Nome Químico: íon de 1,1’-dimetil-4,4’-bipiridilo

Fórmula Empírica:

C12H14N2Cl2

Fórmula Estrutural:
Peso Molecular: 257
Solubilidade em água:
620 g/l (20 ºC)
Estabilidade em pH:
Ácido: estável
Neutro: estável
Alcalino: hidrolisado  
Pressão de Vapor: 1 x 10-9 mmHg
Fotoestabilidade: Decomposto por radiação UV em solução aquosa
Modo de Ação

O paraquat age nos cloroplastos das plantas verdes. Aqui, sistemas fotossintéticos absorvem a energia luminosa para produzir açúcares para a nutrição das plantas. O paraquat tem foco precisamente no sistema bioquímico conhecido como Fotossistema I. Esse sistema produz elétrons livres que impulsionam a fotossíntese. O íon de paraquat reage com estes elétrons formando “radicais livres”. O oxigênio rapidamente converte os radicais livres em superóxidos. Os superóxidos reagem prontamente com os componentes das membranas celulares constituídos por ácidos graxos insaturados. Como resultado dessas alterações químicas drásticas, as membranas são destruídas e os conteúdos celulares vazam e se misturam, causando destruição adicional. Todo este processo ocorre tão rapidamente que não há translocação mensurável de paraquat.